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Brasil fica 20 dias sem presidente de fato se impeachment for aprovado

Se o impeachment da presidente Dilma Rousseff for aprovado no domingo (17.abr.2016) como mostram todas as previsĂľes dentro do Congresso, o Brasil vai conviver por vĂĄrios dias com um vĂĄcuo de poder.
Em 1992, o Senado resolveu o assunto 2 dias depois de Fernando Collor ter sido impedido pela Câmara, em 29.set daquele ano. No dia 1.out.1992, os senadores ratificaram a decisão dos deputados. Collor saiu do Planalto em 2.out.1992 e assumiu o então vice-presidente, Itamar Franco.
Agora, haverå um hiato de cerca de 20 dias entre a decisão da Câmara e a do Senado.
Apesar de existirem muitas especulaçþes a respeito, o Blog apurou que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), vai rejeitar as pressĂľes para acelerar o trâmite do impeachment. “Os prazos serĂŁo todos respeitados”, tem repetido o peemedebista.
No Senado, ĂŠ necessĂĄrio criar uma comissĂŁo especial para analisar a admissibilidade do impeachment. Os lĂ­deres partidĂĄrios tĂŞm de indicar os nomes e o colegiado precisa tomar posse escolhendo um presidente e um relator.
Em seguida, essa comissĂŁo do impeachment no Senado tem 10 dias Ăşteis de prazo para trabalhar e produzir um relatĂłrio. Na semana que vem hĂĄ o feriado de 21 de abril na 5ÂŞ feira.
Tudo considerado, nĂŁo ĂŠ impossĂ­vel que o plenĂĄrio do Senado receba o relatĂłrio sobre o impeachment apenas no final da primeira semana de maio.
PAÍS SEM GOVERNO
Caso se confirme a aprovação do impeachment no domingo (17.abr), o PalĂĄcio do Planalto passarĂĄ a ter uma presidente da RepĂşblica “metade impedida”. Dilma Rousseff ficarĂĄ aguardando a decisĂŁo do Senado.
Ao mesmo tempo, o vice-presidente nĂŁo terĂĄ liberdade total para montar a sua eventual equipe de governo.
O problema Ê que a administração pública terå de continuar a funcionar. Hå vårias decisþes a serem tomadas.
Por exemplo, na semana que vem, na 4ª feira (20.abr), o STF decide se o ex-presidente Luiz Inåcio Lula da Silva pode assumir a Casa Civil. Se a resposta for afirmativa, ninguÊm no Planalto sabe se a nomeação serå mantida por Dilma Rousseff.
Outra dĂşvida: a presidente tem viagem marcada para os Estados Unidos na 6ÂŞ feira (22.abr.2016). Sua presença ĂŠ esperada na cerimĂ´nia de assinatura do chamado Acordo de Paris, que trata de medidas contra o aquecimento global. Ocorre que se Dilma viajar, quem assume interinamente o Planalto ĂŠ Michel Temer –no momento, descrito como “golpista” ou “chefe do golpe” pelo governo.
PAÍS COM GOVERNO INTERINO
Mesmo apĂłs o desfecho do impeachment no Senado, com o eventual afastamento da presidente Dilma Rousseff, o vice Michel Temer assume o PalĂĄcio do Planalto de forma interina.
HĂĄ um prazo de atĂŠ 180 dias para que a presidente seja julgada pelos senadores, sob o comando do presidente do Supremo. A petista tem uma redução de 50% no salĂĄrio, mas fica morando no PalĂĄcio da Alvorada –pois estarĂĄ afastada da função, nĂŁo do cargo.
Se o afastamento se der em 10 de maio, os senadores terĂŁo seis meses para julgar a petista –ou seja, atĂŠ o inĂ­cio de novembro.
Com Fernando Collor, em 1992, o Senado gastou 3 meses para finalizar o julgamento. Tratava-se de um presidente muito fragilizado politicamente, mas que resistiu muito atĂŠ o caso ser concluĂ­do.
Dilma Rousseff tem expressado o desejo de lutar “atĂŠ o Ăşltimo minuto”. A defesa da presidente farĂĄ o que for possĂ­vel para usar ao mĂĄximo os cerca de 6 meses de prazo para o julgamento no Senado.
Nesse perĂ­odo, o Brasil terĂĄ uma presidente afastada, sem poder, e um vice-presidente exercendo interinamente o cargo de presidente, tambĂŠm sem poder absoluto.
*Uol

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