
O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou nesta quinta-feira (26) uma nova política que determina que apenas atletas biologicamente do sexo feminino poderão competir na categoria feminina dos Jogos Olímpicos. A elegibilidade será definida por meio de um teste genético único de triagem, baseado na identificação do gene SRY.
Segundo o comunicado oficial, a medida busca estabelecer um critério universal para competições de alto rendimento e garantir maior equidade na disputa esportiva feminina, tanto em modalidades individuais quanto coletivas.
“A elegibilidade para qualquer competição da categoria feminina nos Jogos Olímpicos ou em qualquer outro evento do Comitê Olímpico Internacional, incluindo esportes individuais e coletivos, está agora limitada a mulheres biológicas, determinadas com base em uma triagem única do gene SRY”, informou o COI.
De acordo com a nova regra, atletas com resultado positivo para o gene SRY, incluindo mulheres transgênero e atletas XY-DSD, não poderão disputar competições na categoria feminina, mas continuarão aptas a competir em categorias masculinas, mistas ou abertas, conforme critérios de cada modalidade.
A presidente do COI, Kirsty Coventry, afirmou que a decisão foi tomada com base em estudos científicos e pareceres médicos especializados, com o objetivo de preservar a competitividade justa no esporte de alto nível.
“Como ex-atleta, acredito veementemente no direito de todos os atletas olímpicos de participar de competições justas. A política que anunciamos é baseada em ciência e foi liderada por especialistas médicos. Nos Jogos Olímpicos, até as menores margens podem ser a diferença entre vitória e derrota”, declarou.
A proposta gerou reação de organizações de direitos humanos e entidades ligadas ao esporte, que manifestaram preocupação com possíveis impactos na inclusão e igualdade de gênero nas competições. Em março, mais de 80 grupos internacionais solicitaram que o COI reconsiderasse a adoção de testes genéticos universais para definição de elegibilidade.
Até então, atletas transgênero podiam disputar os Jogos Olímpicos desde que atendessem aos critérios estabelecidos por suas respectivas federações esportivas. Algumas entidades internacionais, como as de atletismo, natação e rugby, já haviam implementado regras próprias restringindo a participação de atletas que passaram pela puberdade masculina na categoria feminina.
O debate sobre critérios de participação no esporte feminino tem ganhado destaque nos últimos anos, especialmente após casos envolvendo atletas como Imane Khelif, Liu Yu-ting e Caster Semenya, além da participação da neozelandesa Laurel Hubbard nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, considerada a primeira atleta trans a competir na categoria feminina em uma Olimpíada.
O tema também tem repercussão política internacional. Nos Estados Unidos, medidas recentes restringiram a participação de atletas transgênero em competições femininas, enquanto o país se prepara para sediar os Jogos Olímpicos de Verão de 2028, em Los Angeles.
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