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Os principais sintomas de Covid em quem tomou duas ou mais doses de vacina

 

 

Foto: Pixabay


Nariz escorrendo, dor de cabeça, espirros, dor de garganta e tosse persistente. Esses são os cinco sintomas mais comuns entre as pessoas que tiveram Covid após tomarem duas ou mais doses de vacina.

Jå nos indivíduos que não foram imunizados, os incômodos mais frequentes da doença são, em ordem decrescente, dor de cabeça, dor de garganta, nariz escorrendo, febre e tosse persistente.

Esses achados vĂŞm de um acompanhamento feito hĂĄ mais de dois anos no Reino Unido atravĂŠs de um aplicativo criado pela empresa de tecnologia Zoe.

Os dados sĂŁo analisados em parceria com pesquisadores do King’s College, universidade localizada em Londres, com apoio do NHS, o sistema de saĂşde pĂşblica do paĂ­s.

Os mais de 4,7 milhĂľes de usuĂĄrios cadastrados na plataforma online precisam apenas reportar os sintomas que sentem quando testam positivo para Covid.

A partir daí, os especialistas analisam todas essas informaçþes e montam uma espÊcie de ranking dos sintomas mais corriqueiros, que mudaram consideravelmente ao longo das semanas e meses de pandemia.

O trabalho, que atĂŠ março de 2022 recebia financiamento do governo do Reino Unido, foi fundamental para identificar com rapidez alguns dos incĂ´modos menos esperados da Covid, como a perda de olfato e paladar.

Confira a seguir os sintomas mais frequentes da doença de acordo com a quantidade de doses de vacina aplicadas.

Mudança tênue, mas relevante

Entre as pessoas que tomaram ao menos duas doses de vacina, os sintomas de Covid mais comuns sĂŁo:

  • Nariz escorrendo
  • Dor de cabeça
  • Espirros
  • Dor de garganta
  • Tosse persistente

Jå entre aqueles não tomaram nenhuma dose, o top 5 sofre algumas mudanças:

  • Dor de cabeça
  • Dor de garganta
  • Nariz escorrendo
  • Febre
  • Tosse persistente

A PRINCIPAL DIFERENÇA É A PRESENÇA DA FEBRE ENTRE AQUELES QUE NÃO FORAM VACINADOS, O QUE INDICA UM QUADRO MAIS GRAVE. ELES TAMBÉM RELATAM MAIS DOR DE CABEÇA E DOR DE GARGANTA EM COMPARAÇÃO COM AQUELES QUE TOMARAM DUAS OU MAIS DOSES DO IMUNIZANTE.

“Existem algumas razĂľes para explicar essa mudança, como o fato de que indivĂ­duos vacinados tĂŞm sintomas menos severos”, analisam os responsĂĄveis pelo experimento, em numa publicação feita no site oficial do aplicativo Zoe em 25 de abril.

“TAMBÉM PRECISAMOS CONSIDERAR QUE UM VOLUME MAIOR DE CASOS É REPORTADO NOS INDIVÍDUOS MAIS JOVENS, QUE APRESENTAM SINTOMAS DIFERENTES E MENOS GRAVES”, COMPLEMENTAM.

Os autores ponderam que o ranking de sintomas ĂŠ baseado apenas nas informaçþes compartilhadas dentro do aplicativo. Isso, portanto, nĂŁo leva em conta a circulação de variantes especĂ­ficas do coronavĂ­rus.

E vale lembrar tambĂŠm que os sintomas de Covid podem variar bastante. A lista completa das manifestaçþes tĂ­picas da doença, de acordo com o serviço de saĂşde pĂşblica do Reino Unido, inclui:

  • Febre
  • Calafrio
  • Tosse persistente
  • Perda ou mudança de olfato
  • Perda ou mudança de paladar
  • Dificuldade para respirar
  • Cansaço ou exaustĂŁo
  • Dor no corpo
  • Dor de cabeça
  • Dor de garganta
  • Nariz entupido ou escorrendo
  • Perda de apetite
  • Diarreia
  • Se sentir mal, com nĂĄusea e enjoo

O que devo fazer se estiver com sintomas de Covid?

De acordo com autoridades nacionais e internacionais, se vocĂŞ apresentar um ou mais dos sinais tĂ­picos da infecção pelo coronavĂ­rus, o primeiro passo ĂŠ ficar em casa e restringir a interação com outras pessoas.

Isso Ê ainda mais importante se você tem contato com indivíduos vulneråveis às complicaçþes da Covid, como idosos ou pacientes com o sistema imunológico comprometido.

Nesse contexto, outro passo importante ĂŠ fazer um teste para confirmar ou descartar a doença.

AlĂŠm do RT-PCR, que ĂŠ considerado o principal e mais confiĂĄvel mĂŠtodo de diagnĂłstico, ĂŠ possĂ­vel encontrar testes rĂĄpidos de antĂ­geno em farmĂĄcias e laboratĂłrios espalhados pelo paĂ­s.

Caso o resultado seja mesmo positivo, ĂŠ importante seguir em isolamento por cinco a sete dias.

Se os incĂ´modos melhorarem depois desse tempo, ĂŠ possĂ­vel retomar a rotina. Agora, se eles piorarem (ou aparecerem outros mais graves, como falta de ar), ĂŠ importante buscar um pronto-socorro.

Essas informaçþes sĂŁo particularmente relevantes agora, em um momento em que o Brasil apresenta uma nova subida de casos de Covid: de acordo com o Conselho Nacional de SecretĂĄrios da SaĂşde (Conass), a mĂŠdia mĂłvel diĂĄria de novas infecçþes estĂĄ em 39,8 mil. HĂĄ um mĂŞs, em 20 de maio, essa taxa estava em 13,7 mil.

Ficar atento aos sintomas — e como eles podem variar de acordo com a quantidade de vacinas aplicadas — tambĂŠm ĂŠ importante para o contexto brasileiro. AtĂŠ o momento, 78% da população do paĂ­s tomou as duas doses do esquema inicial e 48% receberam o reforço.

Por que vacinados pegam Covid?

As vacinas contra a Covid disponíveis atualmente foram desenvolvidas com um propósito principal: diminuir o risco de desenvolver as complicaçþes mais graves da doença, relacionadas à hospitalização, intubação e morte.

Independentemente do tipo de tecnologia usada, as vacinas têm um objetivo principal: fazer com que nosso sistema imune seja exposto com segurança a um vírus ou a uma bactÊria (ou pedacinhos específicos deles).

A partir desse primeiro contato, que nĂŁo vai prejudicar a saĂşde, nossas cĂŠlulas de defesa geram uma resposta, capaz de deixar o organismo preparado caso o agente infeccioso de verdade resolva aparecer.

Acontece que esse processo imunolĂłgico ĂŠ extremamente complicado e envolve um enorme batalhĂŁo de cĂŠlulas e anticorpos. A resposta imune, portanto, pode variar consideravelmente segundo o tipo de vĂ­rus, a capacidade de mutaçþes que ele tem, a forma como ĂŠ desenvolvida a vacina, as condiçþes de saĂşde da pessoa…

No meio de todos esses processos, portanto, Ê muito difícil desenvolver um imunizante que seja capaz de evitar a infecção em si, ou seja, bloquear a entrada do causador da doença nas nossas cÊlulas.

MAS AÍ VEM UM PONTO MUITO IMPORTANTE: MESMO NOS CASOS EM QUE A VACINA NÃO CONSEGUE PREVENIR A INFECÇÃO, MUITAS VEZES A RESPOSTA IMUNE CRIADA A PARTIR DALI PODE TORNAR OS SINTOMAS MENOS GRAVES NAS PESSOAS QUE FORAM IMUNIZADAS, PREVENINDO ASSIM DOENÇAS MAIS SEVERAS E ÓBITOS.

Isso ocorre, por exemplo, com as vacinas contra o rotavírus e a gripe: quem as toma pode atÊ se infectar, mas o risco de desenvolver formas mais graves dessas doenças Ê reduzido consideravelmente.

E Ê exatamente esse mesmo fenômeno que observamos agora com a Covid-19: ainda que os imunizantes disponíveis não sejam capazes de barrar novas ondas de casos, eles estão funcionando muito bem para impedir o agravamento da maioria das infecçþes.

Prova disso são as ondas mais recentes que ocorreram entre o final de 2021 e o início de 2022, relacionadas com o espalhamento da variante ômicron: embora muitos países tenham batido recordes absolutos de casos, a taxa de internaçþes e mortes nesses lugares foi significativamente menor em relação a momentos anteriores da pandemia.

Um estudo do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos publicado em março calculou o tamanho dessa proteção. Os dados revelam que adultos que tomaram trĂŞs doses de vacina contra a Covid tem um risco 94% menor de precisar de internação, ventilação mecânica ou morrer, quando comparados Ă queles que nĂŁo se imunizaram.

Sintomas graves da Covid, como dificuldade para respirar e febre alta, eram bem mais frequentes no inĂ­cio da pandemia, quando as vacinas ainda nĂŁo estavam disponĂ­veis.

Com as ondas de casos e, principalmente, a aplicação das doses em boa parte da população, essas manifestaçþes despencaram no ranking, e foram aos poucos substituídas no topo dos relatos por incômodos relativamente mais leves, como nariz escorrendo, dor de cabeça e espirros.

Do ponto de vista prĂĄtico, em indivĂ­duos vacinados com duas ou mais doses, o coronavĂ­rus atĂŠ consegue invadir as cĂŠlulas da boca, do nariz e da garganta, onde vai causar aqueles sintomas tĂ­picos de um resfriado.

Felizmente, na maioria desses casos, o sistema imune logo Ê ativado e impede a progressão do patógeno para os pulmþes e para o resto do corpo, onde ele causaria falta de ar, febre, inflamação e outros desdobramentos mais sÊrios.

Atualmente, o MinistĂŠrio da SaĂşde recomenda uma quarta dose da vacina contra a Covid para quem tem mais de 40 anos ou para quem apresenta algum problema imunolĂłgico.

Para indivíduos de 13 a 49 anos, são preconizadas três doses. Para crianças de 5 a 11 anos, o esquema inicial com duas doses continua a ser indicado. (G1)

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