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Testemunha do caso Fifa diz que Globo pagou propina por direitos de TV



O Grupo Globo foi citado por Alejandro Burzaco, ex-homem forte da companhia de marketing argentina Torneos y Competencias SA, como uma de seis empresas que teriam pago propina para ganhar a concorrĂŞncia dos direitos de transmissĂŁo de torneios internacionais.

Num dos depoimentos mais aguardados do julgamento do escândalo de corrupção da Fifa, em Nova York, Buzarco disse que grupos de mídia, entre eles a Globo e a brasileira Traffic, alÊm de Televisa, do MÊxico, a americana Fox e a argentina Full Play fizeram pagamentos irregulares para obter vantagens.

Ele foi ouvido como uma das testemunhas da acusação no julgamento de JosÊ Maria Marin, ex-presidente da CBF acusado de extorsão, fraude financeira e lavagem de dinheiro durante negociaçþes de contratos com a Fifa.

Em nota, o Grupo Globo afirmou "veementemente" que "não pratica nem tolera qualquer pagamento de propina". A empresa lembra ainda que após mais de dois anos de investigação não Ê parte nos processos relacionados à corrupção na Fifa na Justiça americana.

"Em amplas investigaçþes internas, [o Grupo Globo] apurou que jamais realizou pagamentos que não os previstos nos contratos", diz a nota.

Ainda assim, o grupo afirma que se colocarå à disposição das autoridades americanas.

Os outros grupos de mĂ­dia citados por Buzarco ainda nĂŁo se pronunciaram sobre o caso.

Buzarco tambÊm Ê rÊu na investigação conduzida pela Justiça americana. Ex-diretor da Torneos y Competencias, empresa de marketing esportivo com sede em Buenos Aires, ele fechou um acordo de delação premiada com os promotores do caso e ainda aguarda a sua sentença.

O empresĂĄrio estĂĄ em prisĂŁo domiciliar em Nova York desde que foi detido, hĂĄ dois anos. Ele disse tambĂŠm que manteve a Fox Panamericans informada sobre o pagamento de propina -o grupo americano foi o Ăşnico sobre o qual deu mais detalhes, alegando que sabiam de todos os passos do processo.

Ele se referia entĂŁo a contratos de transmissĂŁo da Copa Libertadores.

O empresårio citou ainda o grupo Clarín, mas disse que este foi o único que não chegou a pagar propinas à Fifa. No tribunal do Brooklyn, diante dos jurados, Buzarco apontou para Marin, alÊm de dois outros rÊus na corte, o paraguaio Juan Ángel Napout e o peruano Manuel Burga, afirmando que havia entregado dinheiro ilícito aos três.

Marin, Burga e Napout são os únicos de quase 40 indiciados no caso que se declaram inocentes das acusaçþes.

O depoimento de Buzarco, portanto, Ê uma das principais armas da acusação no julgamento que acusa dirigentes do futebol mundial de receber atÊ R$ 500 milhþes em pagamentos ilícitos em paralelo a negociaçþes de contratos com a Fifa ao longo das últimas duas dÊcadas.

Veja a nota do Grupo Globo na Ă­ntegra:

"Sobre depoimento ocorrido em Nova York, no julgamento do caso Fifa pela Justiça dos Estados Unidos, o Grupo Globo afirma veementemente que não pratica nem tolera qualquer pagamento de propina. Esclarece que após mais de dois anos de investigação não Ê parte nos processos que correm na Justiça americana. Em suas amplas investigaçþes internas, apurou que jamais realizou pagamentos que não os previstos nos contratos. Por outro lado, o Grupo Globo se colocarå plenamente à disposição das autoridades americanas para que tudo seja esclarecido. Para a Globo, isso Ê uma questão de honra. Não seria diferente, mas Ê fundamental garantir aos leitores, ouvintes e espectadores do Grupo Globo que o noticiårio a respeito serå divulgado com a transparência que o jornalismo exige."

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