
A PolĂcia Federal cumpre na manhĂŁ desta quarta-feira mandados de prisĂŁo preventiva contra os ex-governadores do Rio Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho, ambos do PR. Eles sĂŁo acusados, ao lado de outras seis pessoas, de integrarem uma organização criminosa que arrecadava recursos de forma ilĂcita com empresĂĄrios com o objetivo de financiar as prĂłprias campanhas eleitorais e a de aliados, inclusive mediante extorsĂŁo. Rosinha e Garotinho foram presos em Campos e levados para a SuperintendĂŞncia da PF na cidade. O ex-secretĂĄrio de governo de Rosinha tambĂŠm ĂŠ um dos alvos da operação. HĂĄ ainda um mandado de prisĂŁo contra o ex-ministro dos Transportes AntĂ´nio Carlos Rodrigues, presidente nacional do PR. A investigação aponta que ele intermediou o repasse ilĂcito Ă campanha do ex-governador em 2014.
Os mandados de prisĂŁo foram expedidos pelo juiz Glaucenir de Oliveira, titular da 98ÂŞ Zona Eleitoral de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense.
Uma das pontas do esquema foi revelada pelo delator Ricardo Saud, diretor de Relaçþes Institucionais da JBS, que contou, em depoimento na Superintendência da PF no Rio no dia 24 de agosto, que repassou R$ 2,6 milhþes, via caixa dois, à campanha de Garotinho ao governo do estado em 2014.
O dinheiro da JBS, segundo Saud, fazia parte de um montante de R$ 20 milhĂľes usado pela empresa para comprar o apoio do PR ao PT na eleição de 2014. Os recursos representavam uma “poupança” referente a benefĂcios irregulares conquistados pela empresa, como linhas de crĂŠdito no BNDES.
Garotinho e Rosinha são acusados ainda de corrupção passiva, extorsão, lavagem de dinheiro e pelo crime eleitoral de omitir doaçþes nas prestaçþes de contas.
ESQUEMA ESTĂ EM ATIVIDADE, DIZ MPE
No pedido de prisão preventiva, o MinistÊrio Público Eleitoral argumenta que a organização criminosa ainda estå em atividade, tentando intimidar testemunhas e obstruir as investigaçþes.
O esquema, segundo o MP, funcionou nas eleiçþes de 2010, 2012, 2014 e 2016. A conexĂŁo com a JBS foi revelada por Saud e por outro delator, o empresĂĄrio AndrĂŠ Luiz da Silva Rodrigues. Ele ĂŠ sĂłcio da Ocean Link, empresa que assinou um contrato de fechada com a JBS, mecanismo encontrado pelo grupo para que o dinheiro chegasse Ă campanha de Garotinho. Rodrigues, dono de outra empresa que mantinha contratos com a Prefeitura de Campos, entĂŁo comandada por Rosinha, narrou que foi avisado do depĂłsito pelo policial civil aposentado AntĂ´nio Carlos Ribeiro da Silva, conhecido como Toninho – ele ĂŠ apontado como um dos operadores financeiros de Garotinho.
Toninho teria ido Ă casa do empresĂĄrio e, armado com duas pistolas, pedido a ele que sacasse os R$ 2,6 milhĂľes em espĂŠcie no banco. Como o valor era alto, Rodrigues sacou os recursos em mais de um dia, cerca de R$ 500 mil por vez – em uma das idas ao banco, disse que foi seguido por Toninho. Durante a investigação, Renato Barros Damiano, funcionĂĄrio do banco que presenciou alguns dos saques, disse Ă PF que foi procurado pelo policial com o objetivo de saber se ele tinha contado algo aos investigadores e se tinha informação sobre uma possĂvel colaboração de Rodrigues com as investigaçþes. Para o MP, ĂŠ outra prova de que Garotinho e seu grupo tentavam obstruir a Justiça.
O empresĂĄrio tambĂŠm contou na delação que colaborou, via caixa dois, com as campanhas de Garotinho a deputado federal, em 2010; de Rosinha Ă reeleição na prefeitura de Campos, em 2012; e com candidatos a vereadores aliados em 2016. No ano passado, Rodrigues afirma que foi procurado pelo ex-subsecretĂĄrio de Governo Thiago Godoy com o pedido de doação de R$ 900 mil. A contrapartida seria a liberação de recursos que o municĂpio devia ao empresĂĄrio. Rodrigues repassou R$ 600 mil, em espĂŠcie, e teve R$ 2,3 milhĂľes pagos pela prefeitura, em dĂvidas referentes a serviços jĂĄ executados.
Em nota, a assessoria de Garotinho e Rosinha informou que “sĂł se pronunciarĂĄ quando tiver acesso aos documentos que embasaram os mandados de prisĂŁo, o que ainda nĂŁo aconteceu”.
*OGlobo
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