
O presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, anotava rigorosamente todos os detalhes sobre o pagamento de propina a dirigentes, por conta de negociação de direitos de transmissĂŁo de torneios de futebol. A acusação foi feita pelo argentino Alejandro Burzaco na Ăşltima quarta (16), durante depoimento no Tribunal do Brooklin, em Nova York, no processo em que JosĂŠ Maria Marin, ex-presidente da CBF, ĂŠ rĂŠu. O empresĂĄrio, ex-diretor da empresa Torneos y Competencias, e entĂŁo envolvido nas negociaçþes de direitos de transmissĂŁo de competiçþes organizadas pela Conmebol, ĂŠ rĂŠu confesso. Declarou-se culpado por crimes como fraude, lavagem de dinheiro e evasĂŁo de divisas, e tornou-se uma das principais testemunhas de acusação contra Marin. JĂĄ revelou, entre outros detalhes, ter pago R$ 524 milhĂľes em propinas para cerca de 30 dirigentes de diversos paĂses. AlĂŠm de Marin e Del Nero, ele tambĂŠm jĂĄ citou o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira. Ao referir-se a Del Nero no depoimento de terça-feira, o empresĂĄrio disse que o atual comandante do futebol brasileiro tinha atĂŠ um caderno onde anotava os valores e destinatĂĄrios de propina. Disse que Ricardo Teixeira recebia US$ 600 mil anuais por direitos de transmissĂŁo da Libertadores e da Copa Sul-Americana e que, meses depois de Marin assumir - em março de 2012, pois Teixeira renunciou em meio a denĂşncias de corrupção -, o valor da propina aumentou para US$ 900 mil, que Marin dividia com Del Nero. Segundo o argentino, no final de 2014 ele foi procurado novamente por Del Nero, que solicitou que o valor da propina aumentasse para US$ 1,2 milhĂŁo, mas sĂł a partir de meados de 2015. Isso porque ele assumiria a presidĂŞncia da CBF em abril daquele ano, como de fato aconteceu, e nĂŁo precisaria repartir mais o dinheiro com Marin. A operação da Justiça suĂça em parceria com a Justiça norte-americanas que resultou na prisĂŁo de vĂĄrios dirigentes ligados Ă Fifa, entre eles Marin, ocorreu em 27 de maio de 2015. Burzaco disse ao jĂşri que sempre concordou com os aumentos, por recomendação do ex-presidente da Conmebol Juan Angel Napout - tambĂŠm investigado -, de quem ouviu uma frase que depois lhe seria repetida por Del Nero. A de que os dirigentes do poderoso futebol brasileiro mereciam "tratamento presidencial". Por sua vez, Del Nero se posicionou, por meio de um comunicado, sobre o depoimento de Burzaco, no qual o seu nome e o do empresĂĄrio argentino foram grafados em caixa alta. "Com referĂŞncia Ă citação feita Ă sua pessoa pelo delator premiado ALEJANDRO BUZARCO na Corte de Justiça do Brooklin, New York, EUA, o presidente da CBF, MARCO POLO DEL NERO, vem a pĂşblico esclarecer que nega, com indignação, que tivesse conhecimento de qualquer esquema de corrupção supostamente existente no âmbito das entidades do futebol a que se referiu. As investigaçþes levadas a efeito naquele paĂs nĂŁo apontaram qualquer indĂcio de recebimento de vantagens econĂ´micas ou de qualquer outra natureza por parte do atual presidente da CBF", afirmou. Depois, o comunicado completa: "Igualmente, o que ali ficou apurado foi que os contratos sob suspeita nĂŁo foram por ele assinados nem correspondem ao perĂodo de sua gestĂŁo na presidĂŞncia da CBF. Esclarece, ainda, que jamais foi membro do ComitĂŞ Executivo da Conmebol, mostrando-se tambĂŠm falsa essa informação. Por fim, reafirma que nunca participou, direta ou indiretamente, de qualquer irregularidade ao longo de todas atividades de representação que exerce ou tenha exercido".
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