Elaborado com a participação do Planalto e representantes da bancada ruralista, o projeto que prevê a autorização de venda de terras do País a estrangeiros deve ser apresentado ao Congresso atÊ quinta-feira (30) para que seja colocado em votação ainda no primeiro semestre. Atualmente, essas regras estão baseadas apenas em um parecer da Advocacia-Geral da União (AGU), de agosto de 2010. Segundo o Estado apurou, o governo desistiu da possibilidade de estabelecer os novos critÊrios por meio de medida provisória, que teria efeito imediato. O caminho escolhido serå o de recorrer à elaboração de um texto que servirå de substitutivo ao Projeto de Lei 4952/2012. A proposta, na qual serå anexado o texto, tramita em caråter de urgência e estå pronta para votação no plenårio da Câmara. Tido como uma das prioridades do governo Temer, o projeto passarå pelos últimos acertos em reunião prevista para ocorrer na segunda-feira entre o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o relator do projeto, deputado Newton Cardoso Júnior (PMDB-MG). "Estamos fechando o texto com o governo para ver se apresentamos isso na próxima quarta ou quinta-feira ao presidente (da Câmara) Rodrigo Maia. A ideia depois de apresentå-lo aos líderes Ê levå-lo à votação em plenårio atÊ maio", afirmou Cardoso. "Um dos propósitos do projeto Ê tentar flexibilizar as regras e criar um ambiente de investimentos, mas preservando as åreas estratÊgicas", ressaltou o deputado, um dos representantes da bancada ruralista. Segundo ele, um estudo do Hancock Natural Resource Group aponta que a retirada das restriçþes de compra de terras por parte de estrangeiros, a depender da aplicação de alguns pressupostos ambientais, poderå gerar um investimento de R$ 150 bilhþes no prazo de cinco anos. No texto, segundo o relator, serå mantido um limite de atÊ 100 mil hectares, como consta no projeto original. Segundo ele, serå inserida, contudo, uma clåusula de exceção, caso haja interesse por parte do grupo estrangeiro em adquirir uma maior extensão de terras. "Caso a sociedade brasileira controlada por estrangeiros precise comprar mais terras, ela poderå ter esse limite ultrapassado se abrir o capital. Não precisa negociar em Bolsa, basta abrir o capital dentro das regras da Comissão de Valores Mobiliårios", explicou. Nas negociaçþes das últimas semanas, ficou definido tambÊm que não serão ofertadas terras que estejam em zonas de fronteira nem em biomas com 80% da årea em preservação. Apesar de algumas restriçþes, o relator afirma que não haverå "cota de produção" para as åreas de plantio de "culturas anuais". O estabelecimento de uma "trava" Ê defendido pelo ministro da Agricultura, Blairo Maggi, que se diz favoråvel à autorização de venda de terras para estrangeiros, mas defende que elas não se estendam a åreas de cultivo de "culturas anuais".