
A entrega de 78 ambulâncias a municĂpios baianos, feita nesta quarta-feira (15) pelo governador Rui Costa, contou com ares de evento oficial, como inauguração de obras. Na cerimĂ´nia, estavam presentes o secretĂĄrio estadual de SaĂşde, FĂĄbio Vilas-Boas, e prefeitos das cidades contempladas com os veĂculos. Gestores se derramaram em elogios ao petista pelas benesses, enquanto o governador destacou que o investimento nos equipamentos foi de cerca de R$ 6,2 milhĂľes (veja aqui). Apesar da pompa do evento, as ambulâncias entregues nesta manhĂŁ fazem parte do pagamento de emendas impositivas de deputados estaduais, recursos indicados pelos parlamentares para atender a obras e projetos em municĂpios. O pagamento ĂŠ previsto constitucionalmente. A informação de que os equipamentos fazem parte da execução destas emendas foi confirmada ao Bahia NotĂcias pelo lĂder do governo na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), deputado ZĂŠ Neto (PT). O evento suscitou acusaçþes de que o governador estaria usando uma obrigação e um direito dos deputados para se beneficiar com o discurso de que investe na saĂşde estadual. Segundo o vice-presidente da ComissĂŁo de SaĂşde e Saneamento da AL-BA, deputado Alan Sanches (DEM), a atitude de Rui coloca os integrantes da Assembleia em “saia justa”. “Quando ele faz entrega das emendas impositivas, ainda coloca os deputados em saia justa porque ele quer entregar e dizer quer ele fez isso, sendo que fomos nĂłs, deputados, que indicamos quais municĂpios deveriam receber essas ambulâncias, que sĂŁo da nossa cota”, criticou o deputado, em entrevista ao Bahia NotĂcias. Sanches ainda reclamou que, nesta leva de veĂculos, apenas trĂŞs parlamentares da oposição foram contemplados, enquanto o pagamento de emendas impositivas precisa ser feito para “todos os deputados, independentemente de partido polĂtico”. Mesmo com as ambulâncias entregues nesta quarta, o deputado afirmou que Rui nĂŁo tem executado regularmente as emendas. Ele afirmou que vai pedir Ă bancada oposicionista que recorra Ă Justiça novamente para assegurar os pagamentos. Vamos tambĂŠm oficiar o presidente da AL-BA para que ele faça cumprir o pagamento das emendas. "A minha opiniĂŁo ĂŠ que temos que recorrer a tudo que foi possĂvel para fazer cumprir um direito nosso e que nĂŁo depende da boa vontade do governador. NĂŁo podemos facilitar para o governo”, atacou.
(BN)
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