
As prefeituras baianas iniciaram uma sĂŠrie de cortes nos gastos pĂşblicos, principalmente relacionados a cargos comissionados, para tentarem se adequar Ă s exigĂŞncias da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). A legislação determina que as despesas totais dos municĂpios nĂŁo pode ultrapassar 60% da receita corrente lĂquida, o que, segundo os gestores, nĂŁo ĂŠ tĂŁo simples quanto parece. Segundo a prefeita de Cardeal da Silva e presidente da UniĂŁo dos MunicĂpios da Bahia (UPB), Maria QuitĂŠria (PSB), a conta final considera a contratação de funcionĂĄrios exigidos por programas do governo federal, o que faz com que os gastos no setor aumentem sem que haja uma flexibilização na cobrança do Tribunal de Contas dos MunicĂpios (TCM). “Com a inflação, os municĂpios perderam poder de gerir receitas. A maior parte vive de repasses federais e todos os anos as despesas aumentas e recursos nĂŁo. Precisamos de uma redistribuição para que cada municĂpio tenha condiçþes de se manter sem que o gestor tenha que infringir a lei”, reclama. QuitĂŠria afirma que a UPB solicitou, hĂĄ um ano, que o TCM reconsiderasse a inclusĂŁo dos valores de iniciativas como o Programa SaĂşde da FamĂlia (PSF) e o Samu, o que poderia funcionar como uma “medida emergencial para esse momento de crise”. “Como as cidades nĂŁo instituĂram os programas mas sĂŁo obrigados a contratar, isso implica no aumento dos gastos com pessoal. [...] NĂłs estamos regularmente dando subsĂdios ao tribunal, por meio de nossos advogados, para que eles entendam que essa alteração ĂŠ necessĂĄria”, defende.
Foto: Blog do Anderson
O prefeito de Itapetinga, JosĂŠ Carlos Moura (PT), confirma o problema. Nesta semana, ele determinou o corte de 25% do prĂłprio salĂĄrio, do pagamento do vice-prefeito e de todo secretariado, alĂŠm do estabelecimento de turnĂľes de funcionamento da administração pĂşblica. Segundo o gestor, a queda na arrecadação do segundo semestre foi a pior dos Ăşltimos seis anos de seu governo, o que fez com que fosse necessĂĄrio um “freio de arrumação”. “NĂŁo ĂŠ porque a mĂĄquina esteja inchada ou tenha gastos demais. SĂł em uma secretaria sĂŁo 20 programas sociais. Para a UPA, que atente toda regiĂŁo, nĂłs recebemos R$ 100 mil da UniĂŁo, mas gastamos R$ 270 mil. Eu nĂŁo vou deixar de atender o povo porque o custo com uma enfermeira especializada ou com uma professora com mestrado ĂŠ maior”, afirmou. Moura diz nĂŁo saber o motivo que levou a arrecadação municipal cair alĂŠm do esperado neste ano, mas supĂľe que a realização da Copa do Mundo ou as eleiçþes podem ter influenciado na questĂŁo. “Cada ano, as despesas vĂŁo aumentando e temos coisas que nĂŁo podemos parar. VocĂŞ tem obras do governo federal que tĂŞm contrapartida e vocĂŞ tem que tirar do tesouro. A maioria das prefeituras estĂĄ demitindo. Ă uma bola de neve”, avalia. Mesmo assim, JosĂŠ Carlos afirma ter o apoio da população para a realização das medidas que garantam a aprovação das contas da gestĂŁo. “A população estĂĄ entendendo porque sabe que ĂŠ uma situação temporĂĄria, que logo que estivermos estabelecidos nĂłs vamos voltar. NĂŁo de maneira irresponsĂĄvel, mas com mais pĂŠ no chĂŁo. Porque nĂłs estamos cortando na prĂłpria carne. Vamos fazer um natal sustentĂĄvel, com garrafas pet, e usar a criatividade. Mas ĂŠ possĂvel que a gente tenha que cortar mais, para tentar pagar o que falta do 13Âş dos servidores. SerĂĄ que vamos ter dinheiro?”, questiona.