As construtoras Delta e Cowan, responsáveis pelas obras do viaduto Batalha dos Guararapes, que desabou em Belo Horizonte, deixando dois mortos e outros 23 feridos, têm participação na execução de alguns trechos da Ferrovia de Integração Oeste Leste (Fiol), que vai ligar o município de Ilhéus (BA) à Figueirópolis (TO).
Aliada à SPA Engenharia e à Convap, a Delta fez parte do consórcio Integração, que iniciou a construção do lote 1 da ferrovia, trecho entre Ilhéus e Barra do Rocha, e executou parte do lote 3. A atuação do consórcio foi marcada por problemas, que culminaram em uma ação judicial.
Em março de 2014, o Ministério Público do Trabalho da Bahia (MPT-BA) entrou com um processo na Vara do Trabalho de Ipiaú contra infrações trabalhistas.
O promotor Ilan Fonseca, à frente do caso, conta que em visita ao canteiro detectou 38 infrações, como ausência de serviço especial de segurança do trabalho, exames admissionais, treinamento de pessoal e até de banheiros para funcionários, além de ambiente irregular que expunha trabalhadores a riscos.
O caso ainda não foi julgado. “Levantamos muitas provas, tenho confiança de que a Justiça do Trabalho vai dar uma sentença a nosso favor”, diz Fonseca.
Cowan
A Cowan, por sua vez, faz parte do consórcio vencedor do lote 7, que passará pelas cidades de Correntina, São Desidério e Barreiras.
A obra do trecho, cuja extensão é de 161 km, está prevista para iniciar no próximo mês e ser concluída em abril de 2016. O contrato é de R$ 532,7 milhões.
A Valec Engenharia Construções e Ferrovias, responsável pelo projeto, por meio da assessoria de comunicação informa que vai avaliar a situação da empreiteira, caso a perícia, em Belo Horizonte, a responsabilize pelo desabamento do viaduto na capital mineira.
Também pela assessoria, a Cowan informa que só se pronunciará se houver comunicado de mudança da Valec.
A Delta, informa, por meio de nota, que deixou o consórcio Integração desde 2012, com o consentimento da Valec e, por isso, não responde mais pelas obras.
A empresa alega não ter recebido o pagamento pela construção e não fez menção às questões trabalhistas.
Para Iraílson Warnaux, presidente do Sindicato da Construção Pesada da Bahia, o ideal é esperar a perícia em Belo Horizonte: “Sabemos da importância da obra, mas em primeiro lugar temos que nos preocupar com a vida dos trabalhadores”.
