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Menina volta para casa depois de 5 anos no hospital

  • LetĂ­cia, Ă  direita, com as irmĂŁs e a funcionĂĄria do hospital, jĂĄ na ambulância
"Para nĂłs, ĂŠ como se minha filha tivesse acabado de nascer. É uma nova vida". Estas foram as palavras da dona de casa Elenilda Pereira de Oliveira, nesta terça-feira, 8, ao levar para casa a filha LetĂ­cia Oliveira Barreto, 7 anos, depois de 5 anos e dois meses internada na Unidade de Terapia Intensiva dos hospitais  ClĂŠriston Andrade e Estadual da Criança.
A menina deu entrada na UTI  em 1Âş/2/2009, por causa de uma insuficiĂŞncia respiratĂłria crĂ´nica causada por infecção no sistema nervoso central. Hoje, ela leva uma vida quase normal, mas nĂŁo fala porque foi submetida a uma traqueostomia - abertura de orifĂ­cio na traqueia para a passagem de ar.
A saĂ­da do hospital foi em clima de festa, com direito a balĂľes, cartazes, bolo e mĂşsica. Uma despedida feliz para quem encantou os funcionĂĄrios e mĂŠdicos da unidade com seu jeito meigo e sorridente. Na cabeça, uma coroa onde estava escrito princesa LetĂ­cia chamava a atenção por onde passava.
"Ela gosta de todo mundo, nĂŁo fica um dia sem passar pelas salas para ver os funcionĂĄrios. SĂł tenho a agradecĂŞ-los pelo carinho e dedicação", afirmou a mĂŁe Elenilda. Ao encontrar a sobrinha de  2 meses pela primeira vez, LetĂ­cia nĂŁo se conteve:  abriu um sorriso e esticou os braços para segurĂĄ-la.
"Ela nĂŁo conhecia a minha filha ainda. Graças a Deus, estĂĄ indo para casa para usufruir de nossa companhia. É um dia maravilhoso para nĂłs", revelou a irmĂŁ Laila Oliveira. O saguĂŁo do HEC ficou lotado de familiares, funcionĂĄrios e amigos da criança. O choro sĂł foi visto no momento em que LetĂ­cia entrou na ambulância que a levaria para casa.
"Ela ĂŠ uma criança especial e, como mĂŠdico, posso dizer que ĂŠ uma guerreira e batalhadora, pois passou por momentos difĂ­ceis", disse o pediatra MĂĄrcio Torres. Ele acompanha LetĂ­cia desde a entrada na UTI pediĂĄtrica, quando ainda funcionava no Hospital Geral ClĂŠriston Andrade.
"Ela chegou tendo convulsĂľes repetidas vezes, o que agravou o quadro. NĂŁo andava, nĂŁo tinha nenhum estĂ­mulo cognitivo. Hoje, anda, entende o que se fala, responde a estĂ­mulos e vive sorrindo", disse.
No momento de entrar na ambulância que a levaria para casa, a garota nĂŁo quis sair da cadeira de rodas. SĂł depois de muita conversa e brincadeiras  do grupo Terapeutas do Riso LetĂ­cia aceitou entrar no veiculo.
"Não foi surpresa, jå que sempre que andåvamos por aqui ela se negava a sair da unidade. Foi o lar que conheceu. Mas tenho certeza de que vai se habituar em casa", disse o pai, o pedreiro Crispim Anunciação Barreto.
Festa
Na chegada em casa, LetĂ­cia foi recebida com festa por parentes e vizinhos. "Acompanhei o processo ao lado da famĂ­lia e hoje sei a felicidade que ĂŠ para eles tĂŞ-la de volta",  disse a vizinha Neide Bastos.
Letícia inicialmente se recusou a entrar no seu quarto, mas logo depois se animou ao saber que ele era todo rosa. Olhou cada detalhe e expressava a alegria com sorrisos e dançando abraçada com a irmã caçula Mariana Oliveira.
Como depende de oxigênio e ventilação mecânica para dormir, a pequena Letícia foi contemplada pelo programa de oxigenoterapia da Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab), que cede o equipamento para suporte respiratório ser usado em casa.
A casa, que antes era de apenas 5 cĂ´modos e nĂŁo possuĂ­a banheiro, foi totalmente reformada pela Obras Sociais IrmĂŁ Dulce (OSID) para receber a menina. Os mĂłveis do quarto da garota foram doados por uma ONG da cidade. Amplo e arrejado, ele recebeu os equipamentos necessĂĄrios como respirador, aspirador e cilindro de oxigĂŞnio.  
"Na verdade tínhamos um lugar para podermos nos abrigar da chuva. Eles fizeram tudo por nós desde a reforma da casa ao treinamento para cuidar de minha filha e sem falar na dedicação e amor que eles dispensaram durante todo este tempo. Temos mais uma família", desabafou Elenilda Pereira.
Elenilda lembra os momentos difíceis que passou nestes cinco anos ao lado da filha. "Ela apresentou vårias paradas e em alguns momentos achei que a perderia de vez. Mas ao me aproximar dela ela me passava uma força tão grande que a minha esperança renascia e começava a acreditar que um dia conseguiria levå-la para casa. E este dia chegou", explicou.
Lula lĂĄ
Em julho de 2011, a pequena Leticia recebeu a visita do ex-presidente Luiz Inåcio Lula da Silva, que esteve no HEC para visitar as instalaçþes. "Ele foi bastante carinhoso com ela, passeou pelos corredores e dispensou um tempinho para conversar e brincar com a minha filha. Eu fiquei emocionado", contou Crispim Barreto.
O casal tem mais 8 filhos e sobrevive de benefícios sociais somado aos pequenos bicos que o pai faz como pedreiro. Letícia usa fraldas e precisa de uma alimentação balanceada, o que para a família serå um problema. "Gostaria de fazer um apelo a algum empresårio da construção civil que me arranje um emprego pois temos que cuidar ainda melhor da minha filha", apelou o pai.
Letícia Ê o 7º paciente crônico que deixa o HEC e volta ao convívio familiar. O processo tem como principal objetivo, humanizar o tratamento de pacientes com internação prolongada, possibilitando a saída segura do ambiente hospitalar, por meio da adaptação ao convívio domÊstico, alÊm do treinamento dos familiares para os cuidados domiciliares.
*Atarde

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